Gigolô da dívida pública

Gigolô da dívida pública

Não existem cláusulas oficiais de barreira para a entrada no sistema financeiro brasileiro de novos concorrentes que atendam os requisitos da legislação bancária (probidade, etc.). Entretanto, existe uma espécie de reserva de mercado, derivada da elevada dívida pública em títulos. Mais de 20% da dívida em títulos que circulam por aí vencem em menos de um ano. Ou seja, uma rentabilidade atrativa associada à liquidez. Risco baixo. O setor público se aproveita disso para rolar indefinidamente o principal da dívida. E nem só o principal, mas a totalidade dos juros. Desde 2015, não sai um tostão dos cofres públicos para pagamento de juros. É papel em cima de papel. Por isso a dívida vai escalando. Jogando para as costas das futuras gerações o peso da solução.

Para a dívida ficar nominalmente ficasse estável, o setor público teria de acumular anualmente um superávit primário de uns R$ 350 bilhões. Mas, como, se atualmente há um déficit na casa de R$ 100 bilhões? É possível dar uma virada de R$ 450 bilhões, sem paralisar o estado? Impossível. Porém, com déficit primário não dá para conviver. Alguma virada tem de haver, e para tal é preciso a reforma da previdência social.

Enquanto a dívida pública for rolada em sua totalidade, somada aos juros, a poupança privada será absorvida por esse rombo. O que sobra é insuficiente para financiar investimentos que alavancariam a economia. No mínimo, o que se deseja é que a dívida se reduza como proporção do Produto Interno Bruto. Ou seja, que a dívida como um todo cresça abaixo da variação do PIB. Cresça menos que a economia como um todo.

Devido a esse círculo vicioso, o sistema financeiro brasileiro é uma espécie de gigolô da dívida pública. O Brasil precisa desatar esse nó. Nesse sentido, o diagnóstico da atual equipe econômica é correto.

George Vidor – JBcoluna2c

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